quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Desejos - pensamentos meus e relato de uma experiência (??)

Desejos, sonhos, objetivos, metas, fantasias que gostariamos de realizar. Sonhos, pesadelos, enquanto dormimos, ou quando estamos acordados.
É tão intrigante... A mente humana.
Tenho a certeza absoluta que todos nós já quisemos que algum desejo se tornasse real. Algum sonho, alguma esperança. E por vezes, fazemos pedidos. Mas pedimos a quem? A Deus, a nós mesmos, a alguém em especial? Uma estrela cadente, um trevo de quatro folhas, um dente-de-leão?
Porquê? Porque é que temos essa necessidade, de querer sempre mais, querer alcançar o possível, o impossível, o inimaginável? É isto parte da natureza humana? Sonhar? Imaginar? Eu acredito que sim. Afinal, é a nossa mente que nos torna humanos, a nossa capacidade de pensar, de raciocinar, imaginar, conjugar a lógica e os sentimentos.




Eu não sei naquilo que pensas quando fazes um pedido, mas tenho a certeza de que também já desejaste algo. Pedimos que os nossos desejos se tornem realidade. Às vezes está praticamente fora do nosso alcance mudar algo, tornar real, e então transformamos isso num "sonho", em algo que não é real mas gostaríamos que fosse, e pedimos que se torne real. Ou então, quando simplesmente não temos coragem, ou não sabemos o que fazer. Penso que seja frequente o ser humano fazer pedidos, no seu interior, no seu exterior, no meio de tudo, no meio de nada.
Eu não sei se vocês acreditam a 100% que ao "pedir um desejo" ele irá realizar-se, mas se forem como eu, considero que acreditem que há pelo menos uma pequena chance de ele se vir a realizar. E se acreditamos que não é totalmente impossível, porque não tentar? Mesmo que sejam apenas coincidências que iriam acontecer inevitavelmente com ou sem o desejo, não sei, há sempre qualquer coisa que nos leva, pelo menos, a desejar que algo aconteça.

Então... Repito, eu não sei se vocês acreditam nisso ou não, mas não sei, pus-me a pensar nisso, e deu-me vontade de postar algo que aconteceu comigo. Provavelmente os acontecimentos nem estão interligados e foram "coincidências" (eu pessoalmente não acredito em coincidências mas enfim, estão a entender o que quero dizer não é?).

Durante o ano novo é frequente seres humanos fazerem pedidos para o ano seguinte, eu não sou exceção. Sempre pedi os 12 desejos, não propriamente por acreditar, mas porque era o que todos ao meu redor faziam e me diziam para fazer. E cresci assim, todos os anos. Quando era criança, não era difícil de arranjar pedidos. Primeiro pedia sempre pela família, saúde, por mim, essas coisas, o normal. Quando acabava de pedir o essencial e ainda sobrassem desejos, o que é que eu fazia? Quero ser uma bruxinha como aquelas da televisão, uma fada, uma sereia, uma super heroína, quero ter poderes mágicos, quero voar, ser invisível. Sempre assim, nunca tinha problemas com desejos, porque assim que começava a pensar, não parava de desejar mais e mais coisas. No entanto, fui começando a crescer e a distinguir a realidade da ficção... Comecei a perceber que essas coisas não estavam ao meu alcance, por enquanto, nestes tempos, nesta realidade. E esses sonhos e desejos foram-se dissipando. Deixei de os pedir. Comecei a preocupar-me com assuntos mais sérios, mais importantes. Nunca me pus em primeiro lugar, mais uma vez, começava sempre pela família, é quase como uma obrigação que eu imponho em mim. Não gosto lá muito de fazer pedidos egoístas, eu tenho a noção de que estou bem, não preciso de muito mais. Contudo, bem lá no fundo, eu sei que quero mais.

Naquele ano, eu fui um pouco egoísta. Quando dei por mim, já tinha pedido. Foi um mero pensamento fugaz. Assim que terminei e me dei conta do que tinha desejado, eu repreendi-me por ter tido tal pensamento, e tentei mudar o meu desejo. Mas eu não conseguia pensar em mais nada, e o que está feito, está feito. Garanto que não foi nada de grave, foi um simples "não quero que se vá embora" enquanto caíam algumas lágrimas dos meus olhos, perante os fogos de artifício que se viam da janela do segundo andar. Ano novo, vida nova. É o que dizem, não é? Naquele momento, eu simplesmente percebi que não queria uma vida nova, que não queria que uma outra pessoa seguisse com a sua vida. Queria que tudo se mantivesse igual.

Convenci-me de isso nunca se realizava, que nada disso de "desejos" era verdade.

Para surpresa das surpresas... O meu desejo mais negro tornou-se real. E aí, aí sim, a minha consciência começou a pesar. Uma parte de mim tentava ser racional, entender que a vida tem dessas coisas, que controvérsias acontecem, e que o meu desejo secreto e escondido não teve qualquer influência nisso. Mas a outra... A outra parte fazia-me chorar.
E pesava tanto dentro de mim, aquele segredo egoísta. Porque a vida dessa pessoa não seguiu como o esperado, não conseguiu avançar, ficou no mesmo ponto por um longo período de tempo, o que não foi nada animador... E eu?

Eu... Eu que pedi para outra pessoa não "ir embora", não "seguir em frente"... Eu própria mudei, eu própria avancei, eu própria... Comecei a ter uma vida nova. E essa "vida nova" proporcionou-me um dos melhores anos da minha vida, se não o melhor. Já a outra pessoa... É capaz que tenha sido um dos piores.
Tempos depois, já não sabendo no que acreditar, fiz outro pedido... Não tenho a certeza se foi no ano novo seguinte, ou se foi antes. Não me lembro das circunstâncias em que o fiz, o meu cérebro e as memórias são bugados demais, mas lembro-me daquilo que fiz. Dessa vez, o meu desejo foi totalmente o oposto. Pedi para que a pessoa fosse bem sucedida, que conseguisse concretizar as suas metas e ultrapassar todos os desafios, visualizar novos e melhores horizontes. Não foi por essas palavras, mas foi essa a essência da minha intenção.

E estranhamente... Acho que isso está mesmo a acontecer.

Não sei se estão perceberam a cena... Basicamente, eu senti-me muito mal por ter feito o que fiz. Eu sei que é muito idiota, muito idiota, muito muito muito idiota... Mas na altura...
Eu senti-me como se tivesse impedido alguém de ser feliz.

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